A única força que vence um bom argumento, é a força de um excelente argumento

domingo, dezembro 30, 2007

do you remember ?

(...)

Intenções e momentos não correspondidos
vidas que se cruzaram sem sequer se tocar
inconscientes lampejos, olhares despidos
e segredos se olvidaram, ficaram por revelar

As noites finitas, onde senti pertença,
mais do que somente estar,
levou as o tempo criando desavença,
desavença que o tempo não pode reparar

Todos esconderam o que queriam esconder
mostravam somente o que lhes convinha mostrar
mais os mesmos, não eram, não poderiam ser!
diferentes agrados, desejos demasiados para conciliar?

Com diferentes, disposições, tudo se começou a evitar
incompatibilidade, ou (falsa) moralidade?
sempre o vi como falta de vontade,
e digo e repito: não custava nada tentar.

que aconteceu aos projectos, risadas de outrora ?
terei pertencido sempre a mim, foi ilusão que vivi ?
fui e voltei, já as levara a lei do tempo embora ...
não percebi, não senti...

queria entender, sentir, mais não fosse desilusão
é triste o fado de quem não sente, mais triste ainda
de quem não tem, o que, e porque sentir ... Mas não !!
não foi o tempo que matou a vida a fluir da boa vontade já finda.


(Não...)


Levou as a lei dos homens que (ainda) não éramos
estúpidos de vontades momentâneas, irrisórias,
levou tudo, e pouco mais do que nada deixou
o tempo, somente o triste tempo ficou
alimento demais para nossas velhas memórias!


(...)



eduardo cruz

sexta-feira, dezembro 07, 2007

just words

Pedes me um olhar,
Com o olhar de quem não pede nada …
Eu escrevo como quem olha
e sinto me face da inocência
de uma criança deslumbrada,

Escreves me na língua de sonhos
Nas ondas de uma calmaria desejada
Em caxemira ou veludo
De um manto que me protege de tudo
Menos de uma guerra tão procurada

Eu peço te como quem pede
Um olhar que não peça nada
E uma palavra que me diga tudo,
Quando mesmo querendo,
Eu não te consiga pedir nada

Querer é palavra amada
De um almejo consciente, mas mudo
Certo de que enfim me darás tudo
Mesmo quando eu não te pedir nada.


Eduardo Cruz

Anthony Hamilton . Do You Feel Me



Palavras? Para quê?

sábado, dezembro 01, 2007

Cartas de Desamor

Não sou especial. Certamente querias, até mais do que eu próprio, que me carecterizasse esse desígnio. Não o sou. Desculpa me dizer to agora, na maré enchente do desamor que te nutro. Não o consegui vislumbrar quando éramos tudo, quando acreditávamos nesta mentira, de que éramos perfeitos um para o outro, e tudo o mais eram indiferente. Criaste este enredo místico na minha mente e foste embora, destroçando a minha concepção inconsciente, ingénua e imatura de amor.
É o do lado esquerdo, o pior de todos os desiquilíbrios, e quando acentuado por esta estação que chora, e pela sensação de vazio que deixam as desilusões pessoais e sociais, traz consigo uma amargura e irascibilidade bem piores do que qualquer outra dor.

Não há complementaridade que balance a irracionalidade do amor, nem a racionalidade cruel da falsidade que há na traição, na falsa inocência, no desprezo crescente pelo sentimento alheio, ou na busca constante da oportunidade.
Apanágio de uma mentira, de uma conjectura perfeita, todos os ensinamentos que trazias no olhar, tinham mais do que isso, tinham premeditação, e uma calculista despreocupação de elefante em loja de porcelana. Entreguei te como nunca o meu frágil lado esquerdo, que tu quebraste e torceste antes de o partir e partires conscientemente. Complementavas a minha inconsciência em relação aos sentimentos, é certo, mas agora que somos só dois, continuo a preferir a minha forma de acreditar, prefiro o meu desiquilíbrio ao teu.