Que saudades que eu tenho de tirar uma boa fotografia! Acho que nunca o senti tanto como agora, aquela saudade de conhecer novas gentes, sítios e costumes, de me deslumbrar com texturas e cores, de sentir aquela expectativa em relação a todos os admiráveis mundos inexplorados que se encontram à minha espera e com os quais sonho todas as noites em que consigo dormir. O mundo é o nosso pior carrasco, pega em tudo isto e sufoca os sonhos transformando os em pouco mais do que frustrações megalómanas. Traz nos pela trela, pega em nós e tranforma nos em máquinas competitivas, acéfalas, cegas pela cobiça e sede de poder, completamente centradas no desejo de provar que estão acima de alguém na cadeia alimentar-social.
Nunca tive o sonho de ser "patrão" de ninguém, nem quero tão pouco ser melhor ou pior do que alguém, só quero ser igual àqueles que conseguem ser iguais a mim. Preciso disso para respirar. Preciso que não me barrem a imaginação e criatividade de criar e recriar à minha maneira. Preciso de empatia genuína e não fingida, preciso de captar isso e guardar na memória que mais interessa: a minha. Preciso de viajar.
A última fotografia decente que tirei:
@ Serra da Estrela, 2005