what about destiny ?
Aprendi a não ligar a sinais. Desculpa, mas a vida fez me assim. não foi uma opção deliberadamente minha, mas sim das circunstâncias que me moldaram e fizeram de mim aquilo que hoje sou. Custa me. Custa me ainda mais este facto por saber isso, por não o poder inconsciencializar na minha inconsciente mente, onde posso sempre voltar e ser aquilo que quero ser, mas que sei que nunca serei, porque este mundo não mo permite. E custa me saber que por minha livre e espontânea vontade ainda seria aquela criança grande de 18 anos que te viu pela primeira vez e ousou sorrir para ti num mundo tão apegado aos rigores de uma vida que não é nossa, nunca o foi. mas o tempo, esse sim é nosso, para o vivermos ou para o chorarmos à beira de um rio, enquanto bem quisermos, para sermos felizes, ou para o vermos passar e passarmos juntamente com ele, restando nos a contagem passiva dos dias até ao momento em que nada mais reste do que fazer das lágrimas os segundos que incendeiam mais um minuto que tortura os sentidos daqueles que nunca souberam sentir.
E o tempo passou com o virtuosismo de quem passa devagar, e eu cresci, e tu cresceste comigo, não acreditando em coincidências, ou pelo menos não as demonstrando e ornamentando como um troféu de que tantos se orgulham, ostentado as como se a conquista de uma vida se tratasse. e o tempo passou, até quarta feira passada, em que eu tive a pior notícia da minha vida em termos profissionais, e coincidência das coincidências te encontrei, sem sequer ter de te procurar.
Mas eu não acredito em coincidências, acredito nas vontades coincidentes de duas pessoas, difundindo se e tornando se unas, e é essa a coincidência que trazes à minha vida, a de eu beijar a tristeza enquanto escrevo estas palavras mas simultâneamente me lembrar do teu sorriso.
O sorriso com que tu me fizeste acreditar novamente quando eu já não julgava possível, quando eu julgava não conseguir desvendar mais perguntas para todas as respostas que me dás, mesmo que sejam só com um olhar.
E isso obriga me a colocar mais e mais questões a mim mesmo, e como posso não acreditar nisto, como posso não acreditar no poder que tens sobre mim e sobre estas palavras que abandonava desde já por ti, para estar contigo. Estas palavras que nunca poderiam exprimir de modo algum a tua beleza. E como tu és linda ...
Venceste a chuva que eu trazia dentro de mim na quarta feira e eu agradeço te por isso, por o teres feito sem me teres impingido dilemas morais e por não teres dito que tudo aconteçe por uma razão, e que por vezes até é bom parar, numa vida tão curta para se perder um segundo que seja. Venceste me com a força mais eficiente e bela deste universo, sorrindo me quando eu chorava por dentro até ao momento em que coincidimos na harmonia que só conheçem aqueles que se habilitam a sofrer, que é coincidentemente a única maneira possível de viver uma vida plena e cheia de coisas boas, cheia daquilo que se entende como felicidade.
mas como eu já disse, não acredito em coincidências, mas ...
e o destino ?

