A única força que vence um bom argumento, é a força de um excelente argumento

sexta-feira, janeiro 27, 2006

feel like ...

não posso ser o génio que me pedem, se não o for primeiro para mim mesmo. de nada me adianta dominar leis da química e da física, se não domino aquelas que que me constituem.

apeteçe me explodir os sentidos e não ter de pensar mais em equações de infinitas variáveis e o caralho que as foda, apeteçe me rasgar os sentidos e sentir os comprimentos de onda que me transmitem a tua imagem que apenas sinto de olhos fechados.

hoje, mais um dia passado à frente de mais números do que aqueles que sei contar, mais um dia em que o que nos aproxima é melancolia, mais um dia ...

apeteçe me gritar este silêncio ao teu ouvido, este silêncio que nunca conseguirás ouvir ...
apeteçe me gritar e mandar tudo à merda ...


e apeteçe me apagar este texto ...


a janela aberta mostra apenas aquilo que me pode mostrar: hoje como ontem escureceu demasiado rápido lá fora ...
...ou será que foi cá dentro ?

e o exame é já amanhã ...
(se passar pago um copo a cada um dos comentários lol)

segunda-feira, janeiro 23, 2006

O meu primeiro post sobre política

Nem de propósito. Presidenciais 2006.

Aproveitando esta onda democrática em que todos abrem a mente a esta calorosa vaga de esperança no futuro, acreditando no que sentem, e dizendo o que pensam, sobre o estado real de Portugal e dos portugueses, faço aqui a minha análise de todo este assunto segundo o meu fundamentado e criteriado ponto de vista.

O primeiro factor digno de referência, o qual faço questão de esclarecer, reside no facto de que a minha cultura política é um factor ainda em crescimento, por sinal muito imaturo neste momento em que escrevo, impingindo como tal a estas palavras, uma toada não política, nem de fundamentalismo, mas sim de comentário pessoal, e esses são sem dúvida para mim os mais importantes pela maneira autêntica e única que cada ser humano observa, avalia, compreende e emite os seus juízos.
Como tal, e sem querer entrar em discursos demasiadamente políticos, tais como andar às voltas sem dizer nada, tal como estou a fazer neste preciso momento, enquanto vocês, aqueles que sei que me lêem, estão pregados ao écrã a ler mais estas palavras e a pensar “então mas este gajo diz o que tem a dizer ou não?”. Enfim, tudo isto para no fundo dizer uma única e simples coisa: Vou ser o mais sucinto e objectivo possível, sem politiquices, nem as hipocrisias que tantas vezes as distinguem.

Como tal, começo por dizer que toda esta campanha eleitoral me suscitou desde o seu começo um enorme sentido e dever cívico. Não só pela crise que o país atravessa (sim, sim politiquice eu sei, mas não resisti), mas também pela situação, não diria crítica, mas de algum modo conturbada que se vive a nível interno partidário, plano no qual, se distinguem vencedores e vencidos (situação completamente escusada do meu ponto de vista).


Passando à análise dos candidatos, em relação a Aníbal Cavaco Silva, demonstro-me sempre indeciso ao tentar traçar um perfil do professor. Se por um lado é bem verdade que à partida para a campanha eleitoral, o seu nome me soava como o mais indicado e melhor preparado para assumir o cargo presidencial, também é verdade que o seu carácter altivo e superior, discurso repetitivo (temperado por algumas bacoradas), proximidade com “o povo”, quanto a mim pouco sincera, entre outros factores revelados durante esta campanha, me dificultaram a escolha sem qualquer dúvida. Fez uma campanha correcta, sem responder a ataques pessoais nem provocações e transmitindo serenidade do princípio ao fim. E como o povo português gosta (demasiado) de serenidade!


Em relação ao doutor Mário Soares, pouco tenho a referir, a não ser que não concordo minimamente com o slogan escolhido para a sua campanha eleitoral: “Soares é fish!” Bom quanto a mim, com aquelas bochechas, poderia quanto muito ser um peixe balão. Balão que inequivocamente teve o seu apogeu em grandes momentos e batalhas em que deu a cara por Portugal. Balão que usou todo o seu ar, nesta campanha eleitoral em ataques aos adversários, ataques muitas vezes com um tom demasiado agressivo e altivo. Balão que rebentou. Balão que escusava de ter rebentado. Não duvido da boa vontade do Doutor Soares em ajudar Portugal, trata-se apenas de uma questão de “timing” e respeito pelo ridículo, e na minha sincera opinião o Doutor Soares não precisava de passar por esta situação que a partir de um certo momento se tornou previsível, facto que só prova que tudo tem o seu lugar e tempo na história.


No que respeita aos dois partidos com posição parlamentar, mais definidos à esquerda, confesso que me cativou a disputa entre Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, representantes do Partido Comunista Português e Bloco de Esquerda, respectivamente. Ambos representaram bem o seu papel, diga-se de passagem, Jerónimo na sua pose e discurso anti cavaquista, cativante para com a população comunista, essencialmente trabalhadora, que julgava mais mobilizada. Louça mais sarcástico e irónico, como sempre, e utilizando também os mesmos propósitos anti-Cavaco e anti-governo, tendo por base as suas políticas de esquerda.
Este “duelo” suscitou em mim particular interesse, por um muito simples motivo, pela de alguma maneira imprevisibilidade do resultado final (que esperava mais equilibrado entre os dois partidos). E se motivos são precisos para o facto de este confronto à esquerda ser para mim tão interessante, temos mais do que os suficientes.

Jerónimo de Sousa trazia por si só a bagagem de um impulso conferido pela excelente relação interna no Partido Comunista Português, tendo apresentado bons resultados nas últimas legislativas e autárquicas, conferindo lhe alguma margem de manobra (que sinceramente esperava menor) em relação ao bloco de esquerda.
Louçã, ainda embalado pelo excelente resultado das últimas legislativas, tentava aqui a sua “sorte”, com a vontade de testar a força e até mesmo o crescimento do Bloco de Esquerda, perante um partido comunista português que julgava enfraquecido, mas que Jerónimo de Sousa revelou um “monstro adormecido”. Muito bem conduzido este monstro por Jerónimo de Sousa, este monstro que acordou para um resultado de 8,60%.


Quanto a Garcia Pereira, este senhor que se apresentou como candidato à Presidência da República, fez questão de salientar que a divisão da esquerda concedeu estas eleições a Aníbal Cavaco Silva (pudera!), e eu concordo, tornando-se esse facto demasiadamente previsível a partir do momento em que Manuel alegre decidiu (e muito bem) avançar com a sua candidatura.


De referir a falta de expressão do PSD e CDS-PP nestas eleições presidenciais, apoiaram desde o início Cavaco é certo, que não hesitou em manter-se aparte desse movimento de apoio. Mas a falta de apresentação de candidatos próprios dos partidos à direita, que se encontram neste momento na oposição ao governo, faz qualquer um reflectir acerca do poder e da força real de cada um, especialmente do CDS-PP que apresentou resultados abaixo das expectativas nas últimas legislativas, representando a força de direita de oposição ao governo menos representativa.




E com tudo isto, já deu para perceber que o meu voto foi objecto de muita reflexão e ponderação.
Sim, votei Manuel Alegre, e não tenho qualquer problema em dizê-lo aqui perante todos, tal como ele teve a enorme coragem e discernimento de não ceder ao conformismo e lutar por algo que acreditou desde o início, mesmo tendo sido passado para segundo plano por uma entidade à qual dedicou grande parte da sua vida e da sua luta.
A coragem deste homem de num país tão acomodado a conformismos, e tão conformado a comodismos rompeu com toda uma estrutura de chavões e ideias de alguma maneira pré-concebidas que me faziam desacreditar na classe política. E não é tão baixa quanto isso a quantidade de cidadãos insatisfeita, veja-se a taxa de abstenção de 37%, facto que não implica o não exercer do direito e dever cívico de votar (vota, não sejas idiota).

Votei numa candidatura definida, e com cujos valores me identificava, não havia como não votar em Manuel Alegre, não havia como desprezar o seu enorme acto de coragem, raro nos dias que correm em que tudo e todos se conformam à existência de interesses maiores (mesmo que esses não representem a melhor opção na melhor altura), em que o Partido Socialista se conformou ao capricho e tentativa de revitalizar um herói nacional cuja época já passou há muito.
Manuel Alegre não aceitou esses interesses e acreditou, delineou e efectou um plano, com ideias em que acreditava, mesmo tendo de assumir uma ruptura com a casa que o viu crescer para a política, casa que lhe impôs aceitar algo em que não acreditava de forma pacífica, mas Manuel Alegre não aceitou e bem.

E é esta a vitória de Manuel alegre, a vitória das crenças e da boa moral, uma vitória que jamais algum número poderá quantificar, a vitória educada, emocionada e sempre com classe, traduzida numa verdadeira chapada sem mão (as únicas chapadas que interessam), à entidade que também é Manuel Alegre: o Partido Socialista.

Durante o seu discurso notei a nostalgia de Manuel Alegre a emoção de ter conseguido algo em poucos acreditavam, a coragem de romper com algo que amava, porque às vezes é necessário isso mesmo. Notei aquela lágrima no canto do olho, aquela que congratula todos os esforços, aquela que diz sou aquilo em que acredito e hoje 20,68% acreditaram comigo. E foi bonito, foi bonita a forma apaixonada de lutar pelos seus sonhos, com a qual me identifico.
É caso para dizer: Podem tirar tudo a um homem mas não lhe podem tirar os seus sonhos.

Parabéns Manuel Alegre. E aqui cito o mesmo Manuel Alegre:

"Fica a lição, a esperança, e o exemplo da democracia participativa e do poder dos cidadãos"

Pode ser que os portugueses aprendam alguma coisa com isto. Pode ser que aprendam a acreditar.



Pena não ficar no horizonte a ida a uma segunda volta, pena não haver essa oportunidade de medir a força real de Cavaco Silva, contra um Manuel Alegre que merecia esse teste.

E pena, muita pena de provavelmente não voltar a ver aquela rapariga giríssima que estava a ver os nomes na urna de voto (talvez um dia passes por aqui e vejas este texto tão grande que nem sequer leias metade, que nem sequer chegues a esta parte, mas se um dia vires, fica aqui este registo).




E assim me despeço das Presidenciais de 2006 com os meus melhores cumprimentos.

Felicidades pessoais e políticas a Aníbal Cavaco Silva no cumprimento do seu mandato.


Eduardo Cruz
23/01/06

segunda-feira, janeiro 09, 2006

2 u gf

não é o fim que me assusta, nem esta insaciável vontade de chorar sempre mais um pouco.
É verdade que encontramos mais força na tristeza, do que na alegria, e eu percebo isso, percebo essa tua enorme vontade de partir, para uma viagem da qual ninguém sabe o fim. Vivemos as nossas vidas a um ritmo desenfreado, o qual que nos torna prisioneiros de nós mesmos, que nos torna bestas encarceradas nesse mito que é a vida, quando na realidade caminhamos mais um passo para a morte. Devia conseguir aceitar isto com mais naturalidade, e sei que seria cliché dizer: "a vida é mesmo assim ...", mas a verdade é mesmo essa, a força não chega para lutar contra algumas coisas, a nossa vontade não é nada, e quem fala na fraqueza da carne, que transponha tudo isso para o que o homem é, esse tudo que uma tão forte palavra diz, para um tão simples significado ... fraco.

Sim, o homem é fraco, e sem dúvida, que o nosso corpo e a nossa mente debilitada nos impelem a isso, mas também é verdade que o amanhã tem tanto de promissor, como de incerto.
É nesta imprevisibilidade da vida que tantas vezes me faz chorar, que eu quero que continues a acreditar. Faz isso, fazes ?
Assusta me mais a mim do que a ti, ter de lidar com esta ausência física, num mundo ainda tão apegado a este rigor. Mas eu vou ser forte, prometo-o, prometo-o por ti.

Do passado guardo todas as fotografias dentro de mim, e do futuro sei apenas que não nos pertençe, mas uma coisa eu sei, sei que temos o presente, temos o agora e enquanto esse durar eu vou estar aqui a teu lado. Sempre.
Nem que seja para partilharmos mais uma vez este nosso gosto pela poesia, ou para me contares as histórias de vida que te lembrares, para lembrarmos as coisas boas que ainda existem neste mundo, ou simplesmente apanharmos sol no jardim. E como sabem bem estas coisas, como sabe bem apanhar sol, embora nos faça mal à cabeça, não é ? ...
Sempre.

E quando pensares que me deves alguma coisa olha para ti e contempla a tua obra, a tua vida plena de sucessos, embora marcada pelos mais diversos rigores da vida, quando pensares em me agradeçer por tudo o que tenho feito, e pelo que não tenho feito, olha para mim que nessa altura, ouvirás ...

Obrigado

... por tudo