Há bastante tempo que procuro uma definição para o que me define. Não me interessa o quem, gostava de saber somente o porquê. Porque é que sou este conjunto de ideias difusas e pensamentos perdidos que procuro conciliar com os meus actos. Às vezes não consigo, às vezes cria se uma discrepância tão grande entre aquilo que demonstro e o que sinto. E como tal, por vezes perdem se coisas boas pelo meio, nesta distância neste espaço inócuo que vai de mim até mim. Sou um pensador compulsivo, que ao tentar ligar duas margens de um rio intransponível, deixa escapar muitas vezes a janela da oportunidade que é hoje, tão fugaz e efémera. Sempre confuso, sempre perdido entre o risco e a prudência, entre a virtude e o mundano, mas sempre a acreditar. Nas pessoas, nas vontades e nos sentimentos. E assim ultrapasso a dor que é viver no meio à espera de uma resolução, à espera que esta característica humana de querer tudo, mas no fim ter sempre pouco mais do que nada se dissipe e me traga a clareza e discernimento necessários à decisão e à escolha.
Chego à conclusão que o que quer que eu seja, não se define, pelo menos por palavras. Por gestos talvez. Por ideias. Por princípios. Por amor. Por respeito. Por toda as ideias que vivem na mente das pessoas que (verdadeiramente) me conhecem. É aí que eu moro, é aí que eu realmente sou o que sou, o que quer que isso seja. Bom ou mau, não me importa. São essas as projecções mais fidedignas e é aí que eu posso ser sempre livre de todos os condicionalismos que me são impostos. É aí, em cada sorriso, em cada momento, em cada lembrança, em cada brincadeira que eu me defino, na soma dessas partes, que cada um processa e guarda em algum sítio. Sou feito de uma complexidade estupidamente simples, que só pretende cumprir os seus sonhos. Sem peneiras, sem dar nas vistas ou sobressair, sem manias. Só com a simplicidade, a vontade e a força que me guiam. Mas uma vez mais não é isto que me define. O que é? Diz me tu se souberes...