De entre todos os virtuosismos, por vezes exagerados que me caracterizam, apontaria talvez como basilar, o saber perder, com quem sabe ganhar legitimamente, entenda -se.
Não sei se foi falta de trabalho minha ou simplesmente uma pequena falta de sorte. Já a tive noutras alturas, ontem, por muito pouco não tive nenhuma.
Tudo isto para tentar explicar a tristeza que senti ontem, por não me deixarem fazer o que eu quero, pela negação de um direito que a mim me é essencial: não deixarem trabalhar quem anseia com tal, passe aqui a suposta presunção, especialmente a quem entende, de que tudo na vida é uma pauta de valores exorbitantes. Tem de ser. E os mais fortes ganham, selecção naturall. Há mais do que isso, há efectivamente trabalho, dedicação, força de vontade, insistência, e mais do que se imagina , a sorte. Particularmente angústiante quando se trata do único motivo para uma derrota mínima, por margens ínfimas.
"Ganha se mal nesse ramo e não há condições", dizem, elaborando me teorias de reconforto. Nem tudo na vida se move à volta do dinheiro, digo, num tom intermédio de exaltação.
Pois não, penso corroborando o meu próprio ponto de vista, perplexo pelo paradoxo de estar definitivamente no meio errado para fazer valer esta convicção. Mas que não abdico dela.