O meio
Todos precisamos de uma válvula de alívio das pressões sociais e morais que o meio impõe. Das guerras, dos sangues ferventes que circulam no corpo confinado à resignação, à traição, à luta desigual, à posição hierárquica dominante, ao status, à má vontade, e diria até educação. Ao bestialismo exacerbado, ao engano, à mentira,à chicoespertice, à acusação falsa, à contradição pura e dura, ao abuso de poder e posição, à memória curta, à ofensiva falta para com a verdade.
Porventura, um sinal dos tempos, mas certamente uma constante lusófona, a tendência de ir e levar abaixo, apoucar expectativas em uníssono, levar a aceitar a opressão, como a uma besta a dura canga, tapando os olhos, não com panos, mas com areia.
Como tal, tenho medo de um dia perder o discernimento psicológico, o controlo das minhas reacções, a diplomacia, mas acima de tudo tenho medo que eles pensem que não há quem se insurja contra a tirania, que não há uma mente a escapar ao brainwash constante, que pensem que estão a ganhar a batalha, tenho medo de ser o único (por enquanto ainda não sou) numa luta que será sempre desigual.
Esquecendo o meio e voltando ao ser, o riso seria a escapatória mais acessível e viável, primária diria, para a fuga à frustração, assim me infligida.
Não consigo.
Nos momentos desta singularidade, da preocupação e inquietação (um pouco triste e até em desuso, confesso), sketches do gato fedorento apresentam um travo insípido, sabendo me tudo a pouco, muito pouco. Entenda se aqui que com o devido mea culpa, que não coloco o humor que os gatos realizam de forma alguma em questão.
Precisamos de enquadrar o humor na vida diária, observar uma dada situação por mais ridícula ou constrangedora que seja e reconheçer que nos aconteceu, ou podia ter acontecido, e não ocorreu, por vezes por mera timidez, ou conformismo perante uma dada situação. O mundo seria um local mais funcional, e consequentemente mais cómico, saindo se sempre a ganhar, caso toda a gente tivesse uma atitude mais proactiva.
Ou quando se observa nas notícias o descaramento crescente e insolente, irrisório de tal forma que é difícil pensar que haverão pessoas assim. Sempre tive esta ideia que o humor se encaixa numa espécie de fuga ao intervalo limite de ética, moral, do aceitável e impensável que cada um define para si, daí ser tão ambíguo e pautado pela falta de unânimidade.
Nessa moldura da vida diária, de um dado contexto social, o humor, é uma das variáveis da rotina, um rebuçado a recompensar aqueles dias com amigos, a ajudar e ser ajudado, partilhar batalhas, ferimentos e cicatrizes de guerra, actuais e antigas, tudo isto num sentido muito figurado e poético é certo, mas muito consiso e concreto, na eterna batalha que é ser jovem.
Batalhámos o que podíamos esta semana, defendemos os nossos interesses, trabalhámos, estudámos, fomos amigos.
Estou orgulhoso de todos nós.
E agora que as batalhas serenaram, estudo em casa, onde o humor nestes dias vai me sabendo a pouco.
Leio (maior parte do meu tempo), escrevo, lanço ocasionalmente o meu papagaio, e neste momento, efectuo o retorno a minha humilde escrita à vossa presença.
P.s. Sim era só uma questão de tempo. Como se eu conseguisse viver sem isto eternamente.


1 Comments:
humor a verdadeira cena mm da cena.
gosto mais de ti qd falas q qd escreves.
tás a precisar d 1 verdadeira cena.
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